Angola já perdeu
Jan 11th, 2010 | Por Balípodo | Categoria: O mundo não é uma bolaBons estádios, uma economia em crescimento, otimismo pelas ruas, nada de guerras ou conflitos armados. Um país em reconstrução. Essa era a imagem que Angola queria passar ao mundo por meio da Copa Africana de Nações. Aconteça o que acontecer até a final, em 31 de janeiro, os angolanos já fracassaram nesse objetivo. Não apenas pelo atentado à seleção do Togo, mas também pela incapacidade de evitá-lo e, depois, de contorná-lo.
O ataque aos togoleses escancarou uma ferida que os angolanos quiseram ignorar. Pior, isso ocorreu em um evento internacional, vitimando um grupo de estrangeiros. A chance de abafar ou minimizar o caso é próxima a zero. A partir de agora, Angola pode até dar sinais de recuperação, e há motivo para isso. O país realmente está crescendo. Mas vai levar muito tempo - e demandar um bom trabalho de marketing - para apagar a imagem dos eperviers, a começar pela estrela Adebayor, assustados e desorientados.
O atentado, porém, já ocorreu. O que faltou? E o que resta fazer? A indignação leva à reação natural de radicalizar. “Não podia fazer jogos em Cabinda”. “Tem de acabar com a CAN”. “Togo está certo em sair da competição”. Nem tudo é tão claro. É preciso tratar a situação com seriedade e profissionalismo, até porque foi isso o que faltou - e que permitiu à Flec (milícia independentista de Cabinda) a atacar o Togo.
O governo angolano, na disputa com a Flec, argumenta que Cabinda faz parte de Angola. Tirar o enclave da CAN apenas reforçaria a ideia de que a província não está tão unida ao resto do país. Se, do ponto de vista político, faz sentido colocar a cidade como uma das sedes do torneio, é óbvio que a questão dos conflitos precisa ser contornada. E não foi.
A organização do torneio subestimou a capacidade dos independentistas fazerem algo durante a competição. Era preciso tomar as medidas necessárias para dar segurança de delegações, torcedores e jornalistas. Se a questão cabindense é grave a ponto de nenhuma medida garantir o bem-estar dos visitantes, aí há um motivo claro para deixar a cidade de fora da Copa Africana.
Após o atentado, também faltou inteligência para gerenciar a crise. A CAF (confederação africana) sub-repticiamente jogou a culpa nos togoleses, que, supostamente, não teriam avisado a organização de que passaria a fronteira entre Congo-Brazzaville e Angola (Cabinda) de ônibus. De acordo com a entidade, a orientação seria fazê-lo de avião. No entanto, os relatos do ataque dão conta que a delegação do Togo estava escoltada por militares angolanos. Ou seja, o governo local sabia o que estava acontecendo.
Cancelar a CAN seria um erro tão grande quando permitir que uma seleção tivesse contato com milícias. Seria capitular diante do terror, assumir a vitória da Flec e dar corda para grupos terroristas ou guerrilheiros tentarem o mesmo em outros eventos. No entanto, ficou evidente que a organização do torneio não oferecia a segurança necessária em Cabinda. A CAF errou ao não cobrar os angolanos, que mantiveram o erro ao - diante da tragédia - manter Cabinda como sede. Por que não transferir os jogos para Luanda e demonstrar a Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana e Togo (equipes do Grupo B) que não há motivo para mais preocupação?
Nessa história toda, a única vítima real é Togo. A desistência em participar do torneio pode até ser condenada do ponto de vista político. Mas, com o trauma de quem foi atacado, é compreensível a decisão de voltar para casa. Talvez fique como registro histórico de como Angola infelizmente não conseguiu se mostrar pacificada e como a CAF ainda precisa evoluir muito para se considerar profissional.
Um dos líderes da Flec, em entrevista à Folha de São Paulo, afirmou que o alvo do ataque eram os militares angolanos que faziam escolta aos togoleses. “Curiosamente”, os militares não foram atingidos, apenas o ônibus com a delegação do Togo. Difícil acreditar que não tenha sido de propósito.
Ubiratan Leal



Os militares eram o alvo? Tá bom.
:¬((
“Um dos líderes da Flec, em entrevista à Folha de São Paulo, afirmou que o alvo do ataque eram os militares angolanos que faziam escolta aos togoleses.”
O alvo eram os militares? Tá bom. Das duas, uma: ou os terroristas eram meio fraquinhos de mira, ou tem caroço nesse angu…
Se Espanha organizar uma competição internacional de futebol nao havera jogos em Barcelona? Naturalmente que nao irão os alemaes ou ingleses passar por zonas de risco. A policia encontrava-se na fronteira por isso escoltou o bus da seleção do Togo, aqui se poderia dizer q o mais facil seria nao deixar a equipa togolesa entrar por ali, mas como a historia provara estes irao desistir para passarem as culpas para Angola. Caso o caro analista nao saiba existe uma relação dificil como Togo que apoio a UNITA contra o Governo de Angola durante a guerra inclusive houve varias incursoes dos serviços secretos angolanos nestas paragens e eles nao perdoam e queriam causar um incidente pela barração da sua entrada por terra. Nao me surpreende que tenham contrado uns mal-feitores para este fim. deram-se mal, claro q com a França por tras.