Seleção Balípodo do futebol latino-americano
Dec 30th, 2009 | Por Balípodo | Categoria: O mundo não é uma bolaO ano foi atípico na América Latina. Os favoritos - ou as potências do final de década - não deram as caras, abrindo espaço para surpresas. Foi assim na Libertadores, com o retorno do Estudiantes; na Sul-Americana, com a LDU Quito vencendo sua segunda final contra o Fluminense (mas nem conseguiu ficar entre os três primeiros em seu país); na Argentina, com Boca e River dando espaço a Huracán e Banfield; no México, com Pumas e Monterrey passando por América, Toluca e Pachuca; e até no Paraguai, com o Nacional saindo de uma fila de quase seis décadas.
Isso se refletiu na Seleção Balipodo de melhores da América Latina. Não houve clube dominante, mas uma série de nomes importantes para construir as surpresas do ano. Até porque, vale sempre reforçar, para dar chances iguais a jogadores que atuaram em campeonatos nacionais de nível técnico diferente, a lista não se baseia apenas na capacidade de cada um, mas em sua importância para o desempenho da equipe como um todo. Ah, e jogadores que atuaram em clubes brasileiros não entram.
FORMAÇÃO
4-4-2: Bobadilla; Iván Hurtado, Victor López, Caniza e Papa; Verón, Lodeiro, Édison Méndez e Pastore; Humberto Suazo e Santiago Silva. T: Alejandro Sabella
GOLEIRO
Aldo Bobadilla (Independiente Medellín)
O paraguaio tem uma carreira de altos e baixos, e sabe que sua passagem pela Colômbia é um dos momentos de pico. Desde que chegou a Medellín, Bobadilla usou sua experiência para se tornar o homem de confiança do time. O título do Finalización apenas consolidou sua condição de principal goleiro do futebol colombiano. Aliás, esse título fez que superasse Miguel Pinto, da Universidad Católica.
DEFESA
Iván Hurtado (Deportivo Quito)
Mais um caso de que a experiência faz a diferença na limitação técnica da América Latina. O veterano Iván Hurtado foi um dos principais nomes do Deportivo Quito bicampeão equatoriano. Como sempre foi um defensor mais técnico do que forte, não tem sentido tanto a falta de explosão para segurar os ataques adversários.
Victor López (Banfield)
Jogador que no Brasil seria chamado de “refugo”. López passou por Racing de Córdoba, Talleres, Arsenal-ARG e Real Sociedad, sempre com sucesso moderado. Sem grandes propostas após o rebaixamento do time basco, aceitou defender o Banfield. Um ano e meio depois, comemora o primeiro título da equipe. Ao lado de Sebastián Méndez, formou uma defesa sólida que deu sustentação a um time discreto e vencedor.
Denis Caniza (Nacional-PAR)
Grande líder de uma das maiores surpresas da temporada latino-americana. Caniza foi fundamental para dar experiência nos momentos decisivos para o Nacional de Assunção acabar com uma série de 63 anos sem título. O que não significa que não tenha sido eficiente no resto da campanha. Era ele o pilar da defesa que sofreu apenas 16 gols em 22 jogos no segundo semestre.
Emiliano Papa (Vélez Sársfield)
Em um ano dominado pelos times pequenos, o Vélez Sársfield foi um dos raros clubes com alguma tradição a fazer uma campanha digna na Argentina. E seu principal nome foi o meia-lateral Papa. Não chega a ser um craque, mas avança bem pela esquerda e cumpre seu papel defensivamente. Tanto que é um dos preferidos de Maradona para ocupar a lateral esquerda na seleção argentina que vai à Copa em 2010.
MEIO-CAMPO
Juan Sebastián Verón (Estudiantes)
Não foi apenas o craque do futebol latino-americano em 2009. Foi também a melhor história. Depois de voltar a seu Estudiantes para encerrar a carreira, redescobriu o prazer de jogar futebol, foi campeão nacional com o time, igualou a conquista de seu pai ao recolocar os pinchas no topo da América do Sul e mostrou que seu talento ainda é acima da média ao - enquanto teve fôlego - segurar o Barcelona no Mundial de Clubes.
Nicolás Lodeiro (Nacional-URU)
Uma das principais revelações do futebol uruguaio. Como meia de armação, foi o principal responsável por organizar o jogo do Nacional, um time que contou basicamente com sua coesão tática para chegar à semifinal da Libertadores (primeira vez em 21 anos) no primeiro semestre e conquistar o título uruguaio no segundo.
Edison Méndez (LDU Quito)
Símbolo de como a LDU Quito conciliou potência física e talento para conquistar a Copa Sul-Americana. Méndez não foi um grande sucesso na Europa, mas seu futebol pode fazer a diferença na América do Sul. Foi assim nos quatro gols do jogo de ida da final da Sul-Americana, contra o Fluminense.
Javier Pastore (Huracán)
O Huracán surpreendeu a Argentina no primeiro semestre ao mostrar um futebol rápido, jovem, empolgante e competitivo. Ficou a minutos de conquistar um título depois de 36 anos. A principal figura dessa equipe foi o meia Pastore. Apesar de frágil fisicamente (seu apelido é “El Flaco”), sabe como comandar um meio-campo e dar fluidez à equipe. Por isso, foi comparado a Kaká. Sua venda ao Palermo, junto com a do colega Defederico ao Corinthians, no meio do ano, foi fundamental para a súbita queda de rendimento do Globo.
ATAQUE
Humberto Suazo (Monterrey)
O chileno está cada vez mais consolidado no futebol mexicano. Rápido e oportunista, dividiu a artilharia do Monterrey com Aldo de Nigris. No entanto, foi fundamental ao ir às redes nas semifinais e finais do Apertura, dando ao time regiomontano o título nacional.
Santiago Silva (Banfield)
É estranho colocar na seleção um jogador tão limitado tecnicamente. Mas El Tanque merece algum crédito. O uruguaio foi artilheiro do Clausura, o que apenas reforçou o fato de que faz uma carreira sólida na Argentina. Com o meia Erviti se responsabilizando pelo lado inteligente e técnico do Banfield, Silva pôde ficar mais fixo, “apenas” colocando a bola dentro do gol adversário.
TÉCNICO
Alejandro Sabella (Estudiantes)
Ex-auxiliar de Passarella, Sabella assumiu o Estudiantes sabendo que não tinha muito dinheiro para investir. Contava com uma camisa forte, o apoio de uma torcida fanática e a liderança de um veterano craque. Soube usar tudo isso para construir um time guerreiro e com algum talento, que se entregou em campo e conquistou a Libertadores mostrando superioridade técnica e tática no momento decisivo. E quase encerrou o ano batendo o Barcelona no Mundial. Nada mal.
Ubiratan Leal
