Seleção Balipodo do futebol brasileiro
Dec 28th, 2009 | Por Balípodo | Categoria: Brazil, VariedadesÚltima semana do ano, hora de fazer balanços e mais balanços. E, como é tradicional, o Balípodo elenca suas seleções do ano. Começamos com a do futebol brasileiro, que teve uma temporada bastante animada, com os títulos nacionais ficando com as duas maiores torcidas do país, mas potências como Internacional, Palmeiras, São Paulo, Atlético Mineiro e Cruzeiro ficando perto de conquistas importantes.
Então, veja abaixo os eleitos. E, lembre-se, a equipe é de toda a temporada, não apenas do Brasileirão. O desempenho em Copa do Brasil, Libertadores, Copa Sul-Americana e estaduais também foi considerado, mas não conta o que algum jogador que atuou no exterior durante um período do ano fez fora do Brasil.
FORMAÇÃO
4-4-2: Fábio; Leonardo Moura, Miranda, Ronaldo Angelim e André Santos; Pierre, Sandro, Petkovic e Cleiton Xavier; Adriano e Ronaldo. T: Silas.
GOLEIRO
Fábio (Cruzeiro)
Bastaria ver os melhores momentos de Estudiantes 0 x 0 Cruzeiro na partida de ida da final da Libertadores para entender por que Fábio ficou como melhor goleiro do Brasil no ano. Seu primeiro semestre, principalmente o desempenho na Libertadores, foi estupendo. Como seu Brasileirão foi bom, acabou mantendo ele no topo (ainda que o segundo semestre do flamenguista Bruno também tenha sido digno de nota).
DEFESA
Leonardo Moura (Flamengo)
Se sobram opções para a lateral direita da Seleção (todos na Europa), não há tantos nomes fortes jogando no Brasil. Por isso, o rubro-negro Léo Moura continua sendo uma referência. Em 2009, ele mostrou bom futebol em duas funções: como ala, durante o comando de Cuca, e como lateral, com a chegada de Andrade à Gávea. O Flamengo não dependeu tanto de seu futebol como nos anos anteriores, mas isso não significa que seu futebol tenha caído - e sim, que o time como um todo ficou mais sólido.
Miranda (São Paulo)
Não foi o melhor ano de Miranda no Morumbi, mas o zagueiro deixou evidente que está um nível acima da maior parte dos jogadores de sua posição que atuam no Brasil. Com bom posicionamento e classe (liderou o Brasileirão em desarmes, de acordo com o Datafolha), ajudou o São Paulo a ter a melhor defesa do campeonato. E só não foi melhor (inclusive, foram falhas da retaguarda contra Botafogo e Goiás que custaram o título ao Tricolor) porque faltaram opções no setor. Com Rodrigo e Renato Silva oscilantes - e mais ninguém no banco -, todo o sistema defensivo atuou no limite o ano todo.
Ronaldo Angelim (Flamengo)
Fábio Luciano foi o grande nome da defesa do Flamengo no primeiro semestre. Álvaro foi a referência no segundo. Mas não dá para achar que o zagueiro que esteve entre os titulares o ano todo não tem mérito. Ronaldo Angelim se tornou um líder rubro-negro pela sua determinação e constância. Não é um estilista, mas sabe como trabalhar dentro de seus limites. E ainda fez o gol do título brasileiro, para coroar o ano.
André Santos (Corinthians)
O ex-lateral-esquerdo do Corinthians está longe de ser uma unanimidade e sua condição de integrante da Seleção é bastante questionável. Mas, na falta de alguém em sua posição que tenha mostrado um futebol constante durante o ano (o cruzeirense Diego Renan foi bem, mas apareceu só no final do ano), André Santos ganha um lugar por ter sido figura importante nos títulos alvinegros no Paulistão e na Copa do Brasil.
MEIO-CAMPO
Pierre (Palmeiras)
É fácil perceber se um jogador é taticamente importante pela queda de rendimento do time todo quando ele não está em campo. Foi o que ocorreu com Pierre e o Palmeiras. O volante é discreto, mas tem velocidade e raro senso de desarme para proteger a defesa. A queda do Alviverde na reta final do Brasileirão não se deveu apenas à contusão do meio-campista, mas esse foi um fator a ser considerado.
Sandro (Internacional)
Volante forte, bom na marcação e que ainda sabe sair par ao jogo, atuando próximo aos meias. E ainda é jovem. Sandro já havia mostrado talento em 2008, mas ficou evidente neste ano de que é um jogador consistente e que pode ser um dos principais nomes do Brasil na posição nos próximos anos. Ganha a disputa com o corintiano Elias por ter sido mais constante durante a temporada, ainda que tenha se dado mal nos confrontos diretos.
Petkovic (Flamengo)
Deu o toque de talento que o meio-campo do Flamengo se ressentia há anos. É verdade que Petkovic não tem mais fôlego para correr o campo todo ou ajudar na marcação. Mas o sérvio se encaixou muito bem no sistema de jogo rubro-negro, atuando como referência na armação e dando uma cadência mais adequada para quem contava com Adriano na frente.
Cleiton Xavier (Palmeiras)
Vale a mesma regra aplicada a Pierre. Não há dúvida que Cleiton Xavier foi muito menos brilhante e decisivo que seu companheiro Diego Souza. No entanto, o ex-gremista perdeu muitos pontos pelo modo como desapareceu nos momentos decisivos. Pela constância, Cleiton fica na seleção. Ainda que não tenha sido particularmente genial.
ATAQUE
Adriano (Flamengo)
Quem tivesse um pouco de boa vontade, saberia que Adriano seria um dos grandes destaques do futebol brasileiro em 2009. A única chance de ele fracassar seria a crise psicológica do início do ano ser mais forte que ele. Não foi. Sentindo-se em casa, e com a diretoria aceitando alguns caprichos, o Imperador foi muito superior a todos seus marcadores em talento, força e experiência dentro da área.
Ronaldo (Corinthians)
Ele ficou fora de sua forma física ideal durante todo o ano, ficou um bom tempo no estaleiro devido a uma contusão estúpida e não jogou tudo o que podia. Ainda assim, Ronaldo continuou sendo craque. Sabendo dosar seus esforços, usando mais o talento do que velocidade ou força, conseguiu desequilibrar. Ajudou o Corinthians em dois títulos e ainda foi responsável por boa parte dos raros momentos empolgantes da equipe no Brasileirão.
TÉCNICO
Silas (Avaí)
Mano Menezes foi fantástico conduzindo o Corinthians ao título paulista e da Copa do Brasil, mas não pode ser isento de culpa na falta de fibra do time no Brasileirão. Andrade também fez um grande trabalho, mas foi um momento curto e contou com alguma sorte. Assim, pela média da temporada, o melhor treinador do Brasil em 2009 foi Silas. O ex-meia tirou o Avaí da fila no Campeonato Catarinense e ainda levou a equipe ao sexto lugar no Brasileirão. Pelos (poucos) recursos financeiros e técnicos que tinha à disposição, um resultado assombroso.
Acha que faltou alguém? Olha quem chegou perto de aparecer, ou mereceu alguma menção: Bruno (Flamengo), Vítor (Goiás), Jonathan (Cruzeiro), Réver (Grêmio), Guiñazu (Internacional), Elias (Corinthians), Hernanes (São Paulo), Ramires (Cruzeiro), Marquinhos Paraná (Cruzeiro), Jorge Henrique (Corinthians), Marcelinho Paraíba (Coritiba), Kleber (Cruzeiro), Taison (Internacional), Diego Tardelli (Atlético Mineiro) e Nilmar (Internacional). Certamente faltou gente. Quem você colocaria?
Ubiratan Leal

É a primeira “seleção do ano” que vejo sem o Tardelli no time titular. Mas se tá o Ronaldo na vaga dele, não há o que discutir - o Adriano então, é igual aquele cara que repetiu de ano três vezes jogando a pelada do recreio da sexta série, como já li por aí.
Paulo,
o Diego Tardelli até entrou na minha seleção do Brasileirão, mas não acho que mereça entrar na seleção do ano. No Mineiro e no Brasileiro, ele caiu de rendimento bem quando seu time mais precisou. Até dá para perdoar o fato de o Galo não ter obtido vaga na Libertadores ou ficado com o título estadual, mas ele deveria ter aparecido mais no momento decisivo. Por isso que ficou de fora na seleção do ano.
Cara, pra mim o Cruzeiro só foi pior que o Flamengo esse ano. Foi vice da Libertadores derrotando São Paulo e Grêmio e ficou perto de brigar pelo título na fase final do Brasileiro, após jogar 12 rodadas com o time reserva e balançar na zona de rebaixamento.
Sendo assim, não consigo entender a ausência de Ramires (pelo 1º semestre, vide gol no primeiro jogo do Brasileiro contra o Flamengo), assim como a falta de, no mínimo, uma menção a Fabrício, Marquinhos Paraná e Jonathan. Principalmente os dois últimos foram fatores preponderantes no grande 2º turno que o time fez no Brasileiro.
Ora, sou cruzeirense, o que me deixa um pouco parcial, a seleção, pra mim, fica assim:
Fábio, Jonathan, Miranda, Réver e André Santos; Guiñazu, Ramires, Pet e Claiton Xavier; Adriano e Ronaldo.
Matheus,
pertinente seu comentário. Mas Jonathan e Ramires só ficaram de fora porque foram bem, mas por um pedaço do ano. Os concorrentes deles nas posições (Léo Moura, Sandro e Pierre) foram bem - ainda que brilhando menos - por mais tempo.
Mas, por exemplo, contando só o Brasileirão, o Jonathan entrou na minha seleção (http://www.balipodo.com.br/index.php?p=4704).
Concordo que Marquinhos Paraná e Jonathan mereciam, pelo menos, entrar nas menções honrosas. O Fabrício eu não acho que foi tudo isso, mas respeito sua opinião.
Abraços