Deixe os homens trabalharem
Dec 9th, 2009 | Por Balípodo | Categoria: BrazilAndrade não é um gênio tático. Nunca se vendeu como tal, nunca complicou o discurso para que alguém pudesse pensar isso. Mas uma parte do título brasileiro do Flamengo está ligada a uma decisão tática. Uma mexida que permitiu que Adriano e Petkovic, os dois jogadores mais talentosos do elenco, pudessem se destacar. E ter dois homens capazes de desequilibrar faz a diferença em um campeonato tão igual.
Desde o meio do Brasileirão 2007, quando o Rubro-Negro de Joel Santana saiu da zona de rebaixamento até conquistar uma vaga na Libertadores, o time teve como estrutura básica o 3-5-2. Houve variações em alguns momentos, mas a equipe se encontrava melhor nesse sistema. Era um meio de usar o potencial ofensivo da dupla de alas, Leonardo Moura e Juan, e ainda ter uma defesa protegida.
Era assim que o Flamengo atuava no início do Brasileirão. Não era ruim, mas havia alguma dificuldade em levar a bola a Adriano, o atacante de referência que tinha condições de decidir as partidas. A concentração das jogadas pelas laterais estava manjada e não havia opções de armação pelo meio. Ibson e Kleberson são bons jogadores, mas têm mais intimidade como volantes que apóiam do que como meias de armação. Quando ambos saíra - o primeiro voltou ao Porto após fim do empréstimo, o segundo sofreu grave contusão -, o time ficou órfão no setor.
E aí veio a alteração que mudou os rumos do campeonato. Petkovic não tem mais o fôlego de antes, mas tem visão de jogo e capacidade de criar. Mas não adiantaria simplesmente colocar o sérvio no lugar de Ibson, pois o meia de 37 anos não pode mais voltar para ajudar na marcação. Assim, Andrade remontou o time, no 4-4-2.
Depois de muito tempo, o Flamengo voltou a se sentir confortável com dois zagueiros. Léo Moura e Juan recuaram e atuaram como laterais. No meio-campo, o volante Willians ganhou importância, a ponto de se tornar o maior ladrão de bolas da Série A. Mais à frente, Zé Roberto voltou a jogar como em sua boa fase no Botafogo: fazendo a ligação entre meio-campo e ataque pelos lados.
O momento da arrancada definitiva se deu com as chegadas de Álvaro e Maldonado. O zagueiro deu mais experiência e força à zaga que já tinha o aguerrido Ronaldo Angelim. O volante chileno, com sua incrível capacidade de cobertura, deu ainda mais poder de marcação e até permitiu que Williams avançasse um pouco. A defesa ficou mais sólida e o meio-campo tinha três homens capazes de marcar - Maldonado, Williams e Toró (ou Aírton).
Com a defesa arrumada, era possível dar liberdade para o meia de criação. Assim, Petkovic pôde evitar o desgaste de subir e descer, preocupando-se apenas com as ações ofensivas. O talento do sérvio voltou a fazer a diferença, com lançamentos e toques precisos para chegar a Adriano, um centroavante forte e técnico, muito acima da média do futebol brasileiro e que tinha proteção da diretoria para ter em torno de si um ambiente de trabalho confortável.
Em um Campeonato Brasileiro tão equilibrado, em que os principais candidatos ao título pecavam pela falta de craques e de poder de decisão, contar com Petkovic e Adriano era um luxo. Com eles, o Flamengo bobeou menos que os concorrentes. E ficou com o título que parecia improvável até o início do returno.
Uma conquista justa, que premiou o time que foi mais forte nas rodadas finais. E que soube se adaptar para valorizar seus talentos. Mérito de seu discreto e silencioso treinador.
Ubiratan Leal


Apesar de não ser flamenguista, eles realmente fizeram por merecer e os outros clubes que estavam na ponto vacilaram.
Desculpe o comentário um tanto tardio, mas me permita discordar de uma coisa: a armação do time estava mais p/ um 4-2-3-1 do que um 4-4-2 simples. Zé Roberto e Williams eram meio campistas abertos que muitas vezes voltavam p/ marcar (princ. Williams). Adriano era o “homem-referência” isolado no ataque e decidiu vários jogos assim - ex: Santos e Botafofo no returno. Vale destacar também a evolução de Aírton como volante - aparentemente deixou de ser mais um botinudo e chegou até a realizar um belíssimo lançamento p/ Adriano no jogo contra o Grêmio.
Fora isso, parabéns pela brilhante análise.
Não acho o Flamengo digno de ser o campeão, ainda mais pelo seu ínicio deplorável e os dois jogos finais mais deploráveis ainda… Nunca engolirei esse fato q acabou com o brilho de um dos campeonatos mais disputados da história mundial… Apesar de isso ser mais culpa dos dois maiores candidatos a campeões, Palmeiras e Internacional, que vacilaram feio, o título deveria ficar entre eles, mas, fazer o que?
Só não sei se Adriano era decisivo assim, já q fora do maraca, o homem sumia do mapa, e sem Petkovic acabou o time, como vimos na derrota pro Barueri, outra razão pro carioca não levar a taça, já o Inter perdera peças como Nílmar, mas conseguiu fazer muito…
Esse é o chato do futebol, melhor para as zebras !