Leão volta a rugir

Sep 21st, 2009 | Por Balípodo | Categoria: O mundo não é uma bola

Barcelona 100%. Real Madrid 100%. Os dois favoritíssimos ao título espanhol não cedem espaço e, após três rodadas, já se destacam dos times “comuns”. Ou melhor, de todos menos o Athletic Bilbao. O surpreendente time basco também venceu suas três primeiras partidas, apresenta um futebol convincente e dá a sensação de que segue em evolução.

Os argumentos para tamanho otimismo foram dados no duelo contra o Villarreal neste domingo. Diante de um adversário forte, os Leones se impuseram com certa facilidade, ainda que o 3 a 2 do placar sugira um jogo equilibrado. Aliás, o marcador mais realista seria com dois ou até três gols de vantagem para os bilbaínos.

O principal responsável por essa boa campanha é o técnico Joaquín Caparrós. Como o Athletic se nega a contratar jogadores não-bascos, só há dois modos de manter times fortes: contratar os melhores nativos (o que depende de um dinheiro que os Leones não têm) ou desenvolver suas categorias de base. O treinador foi contratado em 2007 pelo seu trabalho com jovens em Sevilla e Deportivo de La Coruña. E já mostra resultados em Bilbao.

O time-base do Athletic é Iraizoz; Iraola, Ustaritz, Amorebieta e Castillo; Susaeta, Yeste, Javi Martinez e Gabilondo; Llorente e Toquero. Quer dizer, é o time-base na teoria. Nas quatro últimas partidas, vários outros jogadores entraram como titular, como David López, Koikili, De Marcos, Gurpegi, Aitor Ocio, Muniain e Etxeberría. Ainda atuaram, como substitutos, Aketxe e San José.

De todos esses, Amorebieta, Llorente, San José, Susaeta, Javi Martinez e Muniain têm idade olímpica ou tinham quando Caparrós aportou em San Mamés (Castillo, Toquero e De Marcos não entram nesta lista porque chegaram ao clube nesta temporada). Muniain é o maior exemplo do processo de renovação e busca de talento local: o meio-campista tem apenas 16 anos.

Com uma quantidade grande de garotos à disposição, Caparrós pode trabalhar melhor com o elenco, dependendo menos das figuras mais conhecidas (Yeste, Etxeberría, Iraizoz e Ustaritz). Além disso, pode poupar alguns jogadores e ter mais fôlego para os dez meses de temporada (não esqueça: o time ainda disputa a Liga Europa). Contra o Villarreal, o técnico anunciou que faria isso, dando chance para David López, Koikili e Gurpegi entrarem como titular. E o Athletic não viu seu nível de desempenho cair.

Se souber gerenciar esse grupo, o maior clube do País Basco pode ter sua segunda temporada sem passar sufoco com o rebaixamento. E, se tiver ambição, começar a construir uma trajetória mais estável e vitoriosa para a próxima década.

Ubiratan Leal

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