Portugal vem mais forte do que se esperava
Jun 12th, 2008 | Por Balípodo | Categoria: Artigos, O mundo não é uma bola
Tropeços com Polônia, Sérvia e até Armênia nas Eliminatórias. Desempenho inconstante nos amistosos. Grupo relativamente áspero. O cenário para Portugal na Eurocopa não parecia dos melhores. Dava a sensação de que era um candidato a decepção do torneio. Mas, novamente, o time de Luis Felipe Scolari revela forças que parecia não ter. Depois de duas apresentações, venceu e convenceu. Tem vaga nas quartas-de-final assegurada e dá pinta de que merece ser temido por qualquer adversário.
Alguns aspectos desta seleção portuguesa impressionam. Foi só começarem as partidas realmente importantes que o time encontrou um padrão de jogo. O futebol trôpego e pouco convincente das Eliminatórias deu lugar a uma equipe confiante, em que os jogadores se deslocam com naturalidade e as jogadas fluem.
A questão não é tática. Em teoria, Portugal usa o mesmo 4-2-3-1 da Copa do Mundo. Parte da estrutura é a mesma, com Ricardo, Ricardo Carvalho, Deco e Cristiano Ronaldo. Mudaram algumas figuras, como Pepe, Nuno Gomes, Bosingwa, Simão e João Moutinho. Falta um centroavante mais oportunista, como sempre faltou. O trio de armação (Simão, Cristiano Ronaldo e Deco) é bastante técnico e rápido. E a defesa dá seus sustos.
O que realmente está diferente é o conjunto. Tudo se encaixou. Cristiano Ronaldo é a grande figura da equipe, mostrando seu futebol poderoso. Algo até surpreendente, considerando a desgastante temporada que teve no Manchester United e a queda de rendimento na reta final de Campeonato Inglês e Liga dos Campeões.
Ao lado do madeirense, Deco parece jogar na cara do Barcelona que o clube tinha um grande talento no elenco, mas quis desprezá-lo. O meia tem mostrado muita motivação, habilidade e capacidade de ditar o ritmo do time com seu modo criterioso de distribuir os passes. O volante João Moutinho é um grande complemento. Ainda que não tenha feito uma grande partida contra a República Tcheca, ele sabe levar a bola até o setor de criação.
Outro ponto forte é a liderança que vem do banco de reservas. Felipão, mais uma vez, evidencia que seu conhecimento técnico é muito maior do que seu jeito tosco supõe. Ele tem incrível capacidade de fazer suas equipes crescerem nos momentos decisivos. Além disso, não foge da responsabilidade de servir de pára-raios para a cobrança de torcedores e imprensa.
Claro que Portugal tem problemas. Nuno Gomes não é um centroavante oportunista. A defesa também preocupa. Pepe e Ricardo Carvalho formam uma boa dupla, mas Bosingwa é um lateral que avança razoavelmente bastante e exige muito trabalho de cobertura. Paulo Ferreira está deslocado pela esquerda e acaba se tornando um ponto frágil. O volante Petit, apesar de muito combativo, também está longe de ser uma garantia de segurança, bem como o irregular goleiro Ricardo.
De qualquer modo, Portugal tem apresentado um futebol bastante convincente. Tem armas para encarar qualquer adversário dessa Eurocopa e, com Deco e Cristiano Ronaldo, conta com os craques que qualquer concorrente ao título precisa. E ambos, até o momento, não se furtaram de assumir a responsabilidade.
Considerando que já é primeiro do Grupo A, deve cruzar com Croácia e Polônia nas quartas-de-final. Ou seja, não seria nada difícil os lusitanos chegarem entre os quatro melhores pela terceira Eurocopa seguida. A partir daí, é difícil avaliar as chances de cada equipe. Mas não se deve menosprezar as possibilidades portuguesas. Mesmo se o adversário for a Alemanha.
Ubiratan Leal